O que Lucia Laguna pode te ensinar sobre encarar projetos.

É muito legal quando temos que realizar um projeto novo, aquele ânimo para começar, a confiança, a descarga de adrenalina, você se sente pronto para tomar o mundo.

Mas nosso ânimo muitas vezes não dura o processo todo e é substituído por medo e frustração, nos damos conta que a nossa avidez para começar não deu espaço para o preparo necessário e logo nossa força de vontade já não é o bastante para tocar o trabalho para frente.

Agora você deve esperar que eu te mostre algum estudo sobre processos, apresentado em TED talk, mas vamos pegar técnicas de uma área menos ortodoxa, mas que tem muito a nos ensinar.

Em cartaz no Museu de Arte de São Paulo (MASP), a exposição de “Vizinhança” nos leva para uma jornada aos olhos de uma grande mestra: a artista Lucia Laguna.

Ex-professora de português, Lucia precisava se ocupar e, por isso, decidiu fazer diversos cursos livres na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. E foi desta sua experiência que surgiram peças maravilhosas, que renderam vários prêmios e exposições, inclusive a que encontramos no MASP.

As pinturas de Lucia ilustram três coisas: a paisagem perto da sua casa, seu ateliê e seu jardim.

Mas como temas tão simples podem fazer sucesso? Porque o olhar dela sobre eles é impressionante. Sua capacidade de desconstrução e reconstrução, atenção profunda aos detalhes, mas, ainda assim, formando um todo coerente, a tornam uma artista genial.

Sua visão torna uma coisa em outra

Foto do Jardim da pintora
Paisagem n.99
Morro da Mangueira
Paisagem n.100
Acervo do MASP
Paisagem n114

Agora, o que a Lucia tem para nos ensinar sobre a realização de projetos?

Fragmentação

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Para poder desconstruir alguma coisa, você precisa conhecer as suas partes individuais, e isso exige muita atenção. Esse exercício de fragmentação e isolamento de uma parte é quase meditativo e te proporciona maior propriedade sobre um assunto, a partir do momento em que o estuda peça por peça. Então, na próxima vez você precisar entender uma idéia nova, um texto ou uma fala, não tente digerir o todo de uma vez só, mas o divida e o analise separadamente para depois re-estruturar o seu conhecimento.

Repertório

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Em seu ateliê, Lucia mantém imagens de Paolo Uccello, Rogier van der Weyden, Kitagawa Utamaro, William Turner, Paul Cézanne, Henri Matisse e Pablo Picasso. Dificilmente um artista não terá referências e é quase incabível que ele não tenha. Às vezes, resistimos à ideia por medo de cair no plágio, mas, aos poucos, buscando referências daqui e dali, podemos chegar em nosso estilo pessoal. Nada se cria, tudo se transforma.

Perspectiva

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Muitas vezes, os quadros de Laguna podem ser pendurados em direções diferentes, pois são pintados com mais de uma orientação. Isso nos força a enxergar coisas de modo diferente, em uma perspectiva que não teríamos normalmente – fazendo coisas desconexas se encaixarem ou coisas relacionadas se estranharem. Assim, adquirimos uma nova visão sobre algo que já conhecemos por um ângulo diferente.

Paciência

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Entre suas várias camadas sobrepostas de tintas, Lucia tem de esperar que uma seque antes de passar para a outra, deixando seu trabalho de lado por um bom tempo e tornando o processo bem lento. Muitas vezes nossa ânsia para finalizar algo que começamos torna o resultado corrido e raso, quando poderíamos ter tomado mais tempo para realizá-lo. Não é a toa que uma das práticas mais incentivadas por diversos “criadores” em geral é deixar seu projeto de lado por um tempo e depois retornar a ele com um olhar novo.

Enquanto esses fatores são bem literais quando se trata de pinturas, podemos facilmente migrá-los de uma forma mais metafórica para… qualquer área. Quando não é preciso boa compreensão? Referências? Novas visões?

A arte tem muito mais a nos ensinar do que se imagina. E pode ser uma ferramenta de percepção e reflexão a respeito da maneira como você pensa e gerencia seus projetos. Que tal dar uma passadinha no museu no próximo final de semana?


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