Como funciona o processo de aprendizado?

Demorou para a humanidade descobrir a importância do cérebro — só para você ter uma ideia, Aristóteles achava que esse órgão era uma espécie de cooler para resfriar o sangue, e os egípcios, que guardavam nossos intestinos em potinhos para serem usados na vida após a morte, jogavam o cérebro fora sem hesitar —, mas hoje sabemos cada vez mais sobre a massa cinzenta e o que acontece nela, e uma das coisas mais intrigantes que sucede na nossa cabeça é o processo de aprendizado.

Não há dúvida de que estamos aprendendo desde que nascemos — já ouviu dizer que o cérebro de um bebê é como uma esponja? —, mas o que exatamente faz com que a gente consiga aprender alguma coisa e como seria possível otimizar esse processo?

No post de hoje, vamos te mostrar 3 formas diferentes de explicar o aprendizado e como é possível acelerá-lo segundo cada um desses modelos. Acompanhe-nos e prepare-se para potencializar a capacidade dos seus nerônios!

O processo de aprendizado sob a lupa da neuropsicologia

Depois que descobrimos que o cérebro, na verdade, não é um mecanismo de dissipação de calor, como imaginava aquele renomado filósofo grego, começamos a analisar seu funcionamento de perto, e hoje já conseguimos tirar algumas conclusões sobre o que acontece quando estamos aprendendo. A neuropsicologia utiliza um modelo com 5 partes para explicar o processo, veja só:

  1. Sensação: a primeira coisa que acontece no cérebro quando começamos a aprender algo é sentir, seja pelo tato, pela audição, visão ou até paladar e olfato, ainda que mais raramente, não é?
  2. Percepção: em seguida, começamos a perceber conscientemente as sensações da primeira etapa.
  3. Formação de imagens: com base na percepção, formamos imagens na nossa mente, associando a sensação à nossa memória (por exemplo, ao sentir o cheiro de maçã, você pensa na imagem de uma maçã, certo?).
  4. Simbolização: aqui é quando associamos a imagem e a sensação a palavras (em qualquer linguagem).
  5. Conceituação: por último, e mais importante, é preciso abstrair o que aprendemos a fim de conceituá-lo e inseri-lo em categorias e classificações na nossa cabeça.

Parece difícil interferir em algo tão complexo, não é? Mas na verdade dá para otimizar o seu aprendizado com base nesse modelo sim.

A primeira forma de fazê-lo seria focando a primeira etapa: descubra através de que sentido você aprende mais rapidamente. Outra maneira de melhorar o aprendizado é associar voluntariamente palavras a imagens, fortalecendo os degraus dessa “pirâmide”. Por último, vale tentar relacionar o que foi aprendido a outros conceitos que você já conhece, aumentando a sua capacidade de conceituação.

Da memória de curto prazo à de longo prazo

Ok, agora que vimos como a neuropsicologia enxerga em detalhes o processo de aprendizado, vamos nos distanciar um pouco para ver a questão de um ponto de vista menos microscópico.

Outra maneira de explicar como você aprende algo, no sentido que usamos quando dissemos que é preciso entender uma matéria em vez de decorá-la, é pensar na passagem da informação da memória de curto prazo para a de longo prazo. Funciona assim:

  1. Primeiro, seu cérebro recebe uma informação através dos sentidos (mais ou menos como no modelo de que falamos antes).
  2. Se, por algum motivo, você perceber que essa informação é útil, irá guardá-la na memória de curto prazo por alguns minutos e descartá-la depois de usá-la (por exemplo, o número do telefone de alguém para quem você ligou uma única vez).
  3. Depois disso, se você conseguir passar a informação para a sua memória de longo prazo (como o número do seu celular), ela provavelmente vai ficar lá por tempo indefinido, indicando que você aprendeu em vez de decorar.

A dica, então, é usar algumas estratégias para conseguir faz a passagem para a memória de longo prazo. Para isso, você pode repetir a informação regularmente (fazendo exercícios, revisões, etc.), por exemplo, ou tentar associá-la a alguma coisa que já está na sua memória de longo prazo (no caso de um telefone que termine com os mesmos números do ano em que você nasceu). Entendeu?

As 5 etapas entre a ignorância e a maestria

Por último, temos o mais macroscópico dos modelos do processo de aprendizado. Aqui, a ideia é entender o que acontece não apenas quando você está aprendendo alguma coisa bem específica, mas em toda a sua formação sobre algum assunto. São 5 etapas da ignorância total à maestria completa:

  1. Ignorância total: aqui, você não sabe nada sobre o assunto e, muitas vezes, nem tem consciência de que não sabe nada. Essa etapa é a “zero”, por assim dizer
  2. Ignorância parcial: depois de começar a se interessar pelo tema e pesquisar um pouquinho, você percebe que não sabe de nada mesmo e começa a procurar aprender.
  3. Confusão: essa etapa é um “extra”, ela pode ou não acontecer. Basicamente, é quando rola aquele desespero na hora que você percebe que não sabe de nada e tenta aprender tudo de uma vez.
  4. Conhecimento consciente: depois de aprender bastante, você já tem algum domínio sobre a área e sabe disso.
  5. Maestria completa: por fim, aqui é quando você já sabe tanto sobre a coisa que começa a agir inconscientemente, de forma automatizada, já que o conhecimento já está incorporado às suas ações.

Esse modelo segue uma transição bem natural, de certa forma, mas ainda assim é possível acelerar o processo de aprendizado ao lidar com as três primeiras etapas de forma mais consciente e ter muita dedicação para chegar na quarta!

É claro que o aprendizado é algo muito individual, e ainda que seja possível resumi-lo segundo os modelos de que falamos hoje, cada pessoa é única e vai passar por essas etapas de formas um pouco diferentes, não é verdade? Procure entender como você lida com cada etapa do seu processo de aprendizado e teste formas de otimizá-lo: só você pode fazer isso!

Comente compartilhando conosco de que formas você acredita que consegue aprender melhor e aproveite para conhecer nosso curso de Visual Thinking, talvez essa técnica possa de ajudar a acelerar seu aprendizado!

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A taxonomia dos objetivos educacionais, também popularizada como taxonomia de Bloom, é uma estrutura de organização hierárquica de objetivos educacionais. Foi resultado do trabalho de uma comissão multidisciplinar de especialistas de várias universidades dos Estados Unidos, liderada por Benjamin Bloom, na década de 1950. A classificação proposta por Bloom dividiu as possibilidades de aprendizagem em três grandes domínios:

1.- o cognitivo, abrangendo a aprendizagem intelectual;
2.- o afetivo, abrangendo os aspectos de sensibilização e gradação de valores;
3.- o psicomotor, abrangendo as habilidades de execução de tarefas que envolvem o organismo muscular.”

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