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Porque brincar no trabalho pode resultar no seu sucesso

Quando falamos em brincar, você pensa no que? Crianças desordenadas correndo pra lá e pra cá, pular corda, pega-pega, gravetos virando espadas e varinhas de condão. Coisas de criança. Mas por que você não pensa em executivos jogando aviões de papel? Seu gerente brincando de arminha com o moço do almoxarifado, da secretaria desenhando com canetinhas coloridas, o estagiário em um balanço?

“Eles são adultos ué, não devem mais brincar”

Mas se  te disséssemos que, se essas cenas fossem mais comuns, a empresa seria muuuuuito mais produtiva?

Era uma vez

Assim que nós descobrimos que essas coisas no final dos nossos braços servem para segurar coisas, começamos a explorar tudo a nossa volta: apertando, rasgando, mordendo, jogando, enfiando no nariz, tudo tem um potencial absurdo, porque ainda não conhecemos nada então tudo pode ser tudo.

Assim, quando desenvolvemos a capacidade de raciocínio abstrato, tudo se torna mais tudo ainda. É aí que a brincadeira começa.

Crianças brincam com outras crianças, crianças brincam sozinhas, crianças brincam com brinquedos, com não-brinquedos, com nada e em qualquer lugar. Mas brincar nada mais é do que explorar todo o potencial daquela situação ou objeto, observando, inferindo e aprendendo sobre o mundo a nossa volta. Dessa forma as crianças aprendem a socializar, causa e consequência, responsabilidade e colaboração. Inclusive, crianças que não brincaram na infância desenvolvem, quando adultos, sérios distúrbios de comportamento.

Jogo da velha

“Tá, mas eu já cresci, brinquei e não virei um serial killer, por que EU devia brincar?”. Antes de se precipitar, dá uma olhada nesse TED aqui, depois a gente conversa.

Além de todos os grandes motivos que o Dr.Stuart aponta, o ato de brincar implica em  processos muito benéficos para o ambiente de trabalho, produtividade e inovação:

Exploração:

Explorar algo ou alguma situação nos permite descobrir todas as formas que ele pode ser utilizado. Talvez, no seu processo de exploração você encontre outra função para um clipes de papel, que será muito útil lá na frente. O ponto é, ao explorarmos coisas sem um objetivo em mente, deixamos guardado no fundo do nosso cérebro tudo que aquilo pode se tornar. Inovações surgem daí.

Aprendizagem:

Durante o nosso processo de exploração aprendemos muito. Tudo que descobrimos se transforma em aprendizado e repertório, só que melhor cimentado nos nossos cérebros, por ser uma informação conquistada de forma útil. Um estudo da Universidade de Cambridge mostra que alunos de línguas estrangeiras retém melhor a nova língua ao torná-la aplicada, estudando confeitaria em alemão ao invés de se dedicar somente a gramática, pois ela passa a se tornar uma informação essencial. Da mesma forma, quando aprendemos ativamente, somente com um objetivo final mas sem uma instrução de como chegar lá, qualquer conclusão que chegarmos será melhor retida do que um passo-a-passo.

Sociabilização:

Muitas vezes, brincar implica em mais de uma pessoa, e a partir daí as coisas se tornam mais complicadas. Precisamos nos esforçar para sermos entendidos na nossa brincadeira, estabelecer regras que todas as partes concordem, respeitar as tais regras, saber dividir, empatia e várias outras coisas. Essas habilidades são primordiais para estabelecer conexões e trabalhar em grupo, o que é básico dentro de uma empresa.

Imaginação:

Toda essa dinâmica de projeção e suposição nada mais é do que um grande exercício de imaginação. E imaginação não é uma habilidade reservada para a sua equipe criativa , todas as áreas tem problemas que precisam ser solucionados, e nem sempre o protocolo funciona, é preciso fugir da caixinha e buscar novas formas de resolver. Todas as grandes empresas estão buscando mentes criativas para compor os seus times, então estimula-la dentro da sua equipe te coloca um passo a frente.

Escuta o profissional

Nós conversamos com o professor do curso de Gamification , Fernando Tsukumo e ele nos deu uma perspectiva legal sobre como a gamificação pode e deve ser aplicada no ambiente profissional:

D: O quão presente é a gamificação na sua vida? A maneira como você utiliza jogos para se divertir e para solucionar problemas é parecida?

F: Muito presente. Eu tenho essa tendência de enxergar jogo em tudo. Em diálogos que se estabelecem, em pessoas andando silenciosamente lado a lado, enfim, em qualquer relação humana. No final das contas, há sempre negociações e regras e isso por si só podem estabelecer um jogo. Quando alguém conhece outra pessoa e as duas ficam pensando se devem ligar ou não no dia seguinte podem ser vistos como jogos. E não acho que estou forçando essa visão pois há também a referência (às vezes até negativa) de que fulano está jogando, que estamos fazendo joguinhos e por aí vai. A visão dos jogos pode ser benéfica ou não, o importante é saber dosar. Consegui enxergar mais estrategicamente certas relações pode ser interessante. Em outras, talvez o jogo seja outro e não seja competitivo, seja simplesmente um cooperativo que se estabelece. Enfim, vai da negociação que se estabelece, muitas vezes de forma silenciosa.

D: Por que paramos de brincar quando quando crescemos?

F: Será que paramos? Talvez a brincadeira mude de cara, mas a brincadeira é algo inerente do ser humano. 100 mil pessoas num estádio pra ver um jogo que custa pelo menos uns 50 reais é algo bem significativo. Fico um pouco curioso com aquelas pessoas que absolutamente não brincam de nada. Fico pensando como elas aliviam seu estresse ou mesmo se relacionam de forma saudável com outras… Pode ser que haja alguma maneira, só não é a minha, hehe.

D: Você acredita que empresas devem investir em processos mais lúdicos não só para seu clientes, mas para seus colaboradores também? Como isso impactaria o rendimento da empresa?

F: Não é nem mais questão de acreditar. Basta ver empresas de alta performance que dependem de processos e soluções criativas (existe alta performance sem criatividade???) como google, facebook, Linkedin e todas essas corporações que vêm de startups. Você entra no escritório deles e vê balanços, pinturas doidas, salas com nome de Star Wars, mesas de bilhar, escorregadores e piscinas de bolinas. Elas se tornaram líderes de mercado simplesmente pq tiveram soluções realmente criativas e o fato é que a criatividade flui muito melhor quando há ambientes que propiciam que a criatividade possa trabalhar. Neurologicamente, é quando estamos mais relaxados que conseguimos ter a criatividade acontecendo efetivamente. Não há como ser consistentemente inovador em larga escala se não houver um ambiente mais lúdico.

D: Conta pra gente uma história de um projeto de gamificação que você ajudou a desenvolver e observou de perto. Que tipo de mudanças de comportamento (desenvolvimento de habilidades, colaboração, melhora nas relações interpessoais etc.) você já viu acontecer depois da gamificação ser aplicada?

F: A gente tem um caso da Facchini, de caminhões, e eles tinham uma gamificação de vendas feita internamente que parece que não estava indo muito bem. Basicamente o que identificamos nesse caso é que dentre várias coisas que estavam sendo feitas, uma delas é que o cara que vendia na praça do Pará competia de igual pra igual com o cara que vendia na praça de Limeira. Obviamente o volume de vendas de Limeira era muito maior, pelo volume de caminhões e de poder aquisitivo que tinha na região. Obviamente, não tem ser humano no mundo que goste de jogar um jogo que é injusto contra você. O que fizemos foi recomendar a criação de ligas diferenciando as praças por categorias e as vendas seriam dadas em termos de percentagem, dentre outras recomendações. Isso foi há uns 3 anos. Falando recentemente com o Presidente da Facchini, ele me contou que estão usando o sistema até hoje, o que me deixou bem feliz!

Manual de instruções

Não precisa se desesperar nem começar a comprar o carrossel pra colocar na sala dos funcionários, nós vamos te dar algumas ideias de como criar brincadeiras para a sua equipe se desenvolver de uma forma mais divertida e lúdica:

Desafio dos 30 segundos

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Essa é mais dirigida para o pessoal da criação. De um projeto absurdo para eles, como fazer a melhor montagem do George Clooney com corpo de avestruz ou fazer um slogan para uma companhia de viagens para Marte e de um tempo limitado para que eles criem. Faça vários seguidos e vote nos favoritos, ou exponha no espaço de convivência. Isso vai afiar as habilidades dos participantes, os obrigar a pensar em soluções mais rápidas e exercitar sua criatividade.

Competição de áreas

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Faça um campeonato de algo, futebol de botão, peteca, quem monta um quebra-cabeça mais rápido, algo que faça com que as equipes colaborem entre si, isso criará vínculos mais fortes dentro das áreas, resultando em uma melhor dinâmica de trabalho e um ambiente mais agradável de se trabalhar.

Brainstormings para não criativos

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Brainstorms são processos cansativos, mas extremamente engajantes e por vezes divertidos, mas infelizmente a maioria das pessoas nunca vai passar por um. Então, da próxima vez que o seu time de vendas tiver um desafio para resolver, ao invés de pegarem planilhas, peguem canetas coloridas e façam um brainstorm completo. Talvez vocês encontrem uma solução muito mais interessante.

Desafio do marshmallow

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Essa dinâmica é um clássico e muito útil para acessar como equipes planejam seus métodos e processos. Ela é tão famosa que tem um TED só pra ela:

Agora que você já sabe todas as vantagens que brincar depois de adulto tem, de mais crédito ao seu filhx ou sobrinhx quando vir elx tentando enfiar um cubo em um buraco circular, tem muito crescimento acontecendo nessa brincadeira.

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